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domingo, 15 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
80% (?) DOS CONDENADOS A PENA DE PRISÃO SÃO REINCIDENTES
Recomendo esse excelente e esclarecerdor artigo do renomado Jurista Luiz Flávio Gomes:
80% (?) dos condenados a pena de prisão são reincidentes.
LUIZ FLÁVIO GOMES (@professorLFG)*
Mariana Cury Bunduky**
Superlotação, insalubridade, condições de vida desumanas e a própria convivência com criminosos mais perigosos tornam os presídios e as penitenciárias brasileiras verdadeiras escolas de aprimoramento no universo da criminalidade. A primeira função real da prisão consiste na “Universidade do Crime”.
Prova disso são os dados anunciados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) referentes a 2010, vez que 80% dos condenados a pena de prisão reincidem, ou seja, cometem novos delitos. Nunca esse número foi comprovado com segurança. De qualquer modo, sabe-se que o índice não é pequeno.
O mesmo não ocorre com os condenados a penas alternativas, já que a taxa de reincidência é de apenas 5%.
Do total de 513.802 presos existentes no Brasil, conforme números divulgados em junho de 2011, pelo InfoPen (Sistema Integrado de Informações Penitenciárias), ao menos 34.794 detentos respondem por furto simples.
Presos que poderiam ter suas penas substituídas por penas restritivas de direitos (ou alternativas), desde que presentes os critérios subjetivos (antecedentes, personalidade e conduta social) favoráveis e não fossem reincidentes em crimes dolosos. Porém, na prática, são mantidos em meio a condenados por crimes violentos ou mais graves.
Ao mesmo tempo, o Brasil possui, atualmente, um déficit de 209.100 vagas em seus estabelecimentos penais; havendo 69% mais presos do que vagas. O resultado é um ambiente carcerário superlotado e insalubre (Veja: Brasil: Número de presos é 69% superior ao número de vagas e Superlotação, insalubridade e falta de assistência são as marcas dos estabelecimentos penais de São Paulo).
Um dos mutirões carcerários realizados pelo Conselho Nacional de Justiça em Sergipe, por exemplo, constatou que a maioria dos presos que são mantidos em uma delegacia de Aracaju dormem sobre toalhas (em razão da falta de camas), não tem água para tomar banho, vivem em celas escuras e não têm banho de sol nos fins de semana.
Tais condições de vida propiciam ainda mais revolta e agressividade entre os detentos, contribuindo para o desenvolvimento de personalidades violentas e egressos que poderão voltar a delinquir. Quem é tratado sem nenhum respeito à dignidade, tende a se comportar dessa forma quando passa a viver em sociedade. Quem trata os presos (ou qualquer outra pessoa, inclusive as vítimas dos crimes) como sub-gente está plantando mais violência.
*LFG – Jurista e cientista criminal. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Acompanhe meu Blog. Siga-me no Twitter. Assine meu Facebook.
**Advogada e Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.
segunda-feira, 26 de março de 2012
HUMILDADE LOUVÁVEL: MINISTRO RECONHECE FALHA DENTRO DO SEU MINISTÉRIO E APONTA SOLUÇÕES PARA A REPARAÇÃO DE POSSÍVEIS DANOS. INÉDITO!
Humildade louvável: Ministro reconhece falha dentro do seu Ministério e aponta soluções para a reparação de possíveis danos. Inédito!
Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo
Transcrevemos a seguir notícia publicada no site “o globo”[1]:
BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou na manhã desta quarta-feira, que o Poder Judiciário precisa deixar de lado a postura de ser o "dono absoluto da verdade" e entrar em contatos com outros agentes e profissionais de outras áreas para entender como, de fato, se dá a realidade. O ministro referia-se ao entendimento dos juízes sobre usuários de drogas. Para, ele há um preconceito do Judiciário com os jovens que consomem entorpecentes.
- É preciso não confundir as coisas. O preconceito é óbice para que a legislação (Lei Antidroga, que distingue usuário de traficante) seja cumprida. Não pode ser o dono absoluto da verdade. O tráfico exige o tratamento duro, mas o usuário para não pode ser tratado como traficante e precisa ser entendido como um problema de saúde pública - disse José Eduardo Cardozo, na abertura do seminário "Integração de competências no Desempenho da Atividade Judiciária com Usuários e Dependentes de Drogas, que acontece no auditório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no STF.
O vice-presidente do STF, ministro Ayres Britto, também participou e sua posição nesse tema foi na mesma linha do ministro da Justiça.
- O juiz tem dificuldade em fazer a distinção. O universo do traficante ele conhece muito bem, é fácil. Mas o do usuário exige certa psicologia, é mais subjetivo. Por isso, é preciso ouvir os profissionais de outras áreas, é preciso haver essa abertura do Judiciário - disse Ayres Britto.
A corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon, criticou o Judiciário e afirmou que a nova concepção desse Poder envolve interpretação do direito segundo as necessidades da sociedade.
- O magistrado é sempre a dar a última palavra. Mas não pode ser assim. Tem que compartilhar o debate com outros setores, principalmente nessa questão de drogas. O juiz não é mero aplicador da lei. Isso está sendo abolido na magistratura...A droga é uma questão social complexa. O magistrado não pode ser mero interpretador de texto. Precisa ser mais que isso - disse Eliana Calmon.
O seminário apresentou como vai se dar a integração entre setores do governo, mais o CNJ, a USP e outros setores do Judiciário, envolvendo também o Ministério Público sobre como agir em relação aos usuários de drogas. Serão capacitados cerca de 15 mil profissionais para lidar com esse problema.
* Conceição Cinti
O comentário feito pelo Ministro da Justiça foi oportuno, corajoso e muito correto. Recebemos com muita alegria as suas lúcidas declarações.
Não é novidade a diferença existente entre usuário e traficante, da qual decorre a necessidade de tratamentos diferentes.
Do ponto de vista da saúde privada e pública, tanto o usuário quanto o dependente de drogas tem problemas de saúde. Tanto que a lei (arts. 26 e 47 da Lei 11.343/2006) garante a ambos os serviços de atenção à sua saúde quando estiverem cumprindo pena privativa de liberdade ou submetidos à medida de segurança.
Outras autoridades (como o Ministro da Saúde, da Educação, juízes e promotores) devem seguir o entendimento do Ministro Cardozo e aplicá-lo na prática, no dia-a-dia. Como resultado, teremos tratamentos mais adequados e eficazes que certamente resultarão no aumento da taxa de recuperação.
Parábens Ministro Cardozo pela sua necessária e corajosa declaração e que ela encontre Eco na sociedade.
Conceição Cinti . Advogada. Especialista em Tratamento de Dependentes de Substâncias Psicoativas, com experiência de mais de 27 anos.
domingo, 25 de março de 2012
COMUNIDADE TERAPÊUTICA
C om a finalidade de trazer ao dependente a restauração
O tratamento exige coragem, humildade e perseverança.
M as para obter a cura os adictos precisam ter disposição
U ma presença amorosa dos pais renova a sua esperança
N ão esqueça o valioso incentivo da equipe multidisciplinar
I mprescindível para o paciente sua fase crítica ultrapassar
D espertando a sua autoestima ele vai passar a colaborar
A frustração com maus profissionais só poderá atrapalhar
D eterminar um prazo curto para restauração não é o ideal
É impossível a mudança de vida com pressa e data fatal
T er ou não um acompanhante depende da comunidade
E o prazo de internação varia de seis meses a um ano
R egida por um estatuto todo com uma mesma finalidade
A atuação de profissionais éticos e um tratamento humano
P aciente alcança segurança para uma restauração eficaz
E os pais e responsáveis com a instituição fazem aliança
M as para obter a cura os adictos precisam ter disposição
U ma presença amorosa dos pais renova a sua esperança
N ão esqueça o valioso incentivo da equipe multidisciplinar
I mprescindível para o paciente sua fase crítica ultrapassar
D espertando a sua autoestima ele vai passar a colaborar
A frustração com maus profissionais só poderá atrapalhar
D eterminar um prazo curto para restauração não é o ideal
É impossível a mudança de vida com pressa e data fatal
T er ou não um acompanhante depende da comunidade
E o prazo de internação varia de seis meses a um ano
R egida por um estatuto todo com uma mesma finalidade
A atuação de profissionais éticos e um tratamento humano
P aciente alcança segurança para uma restauração eficaz
E os pais e responsáveis com a instituição fazem aliança
U m trabalho sério e decente que ao paciente satisfaz.
T irar o ente querido do vício insólito é a maior esperança
I nfelizmente a comunidade despreparada uma falha traz
C abe a nós buscarmos a equipe disciplinar de confiança
A ssim evitaremos o abuso e teremos restauração e paz
T irar o ente querido do vício insólito é a maior esperança
I nfelizmente a comunidade despreparada uma falha traz
C abe a nós buscarmos a equipe disciplinar de confiança
A ssim evitaremos o abuso e teremos restauração e paz
Autor: José Carlos Gueta
(Inspirado no artigo de autoria de Conceição Cinti)
terça-feira, 13 de março de 2012
O TRABALHO E O ESTUDO DIGNIFICAM O HOMEM!
Ao invés de ficar à toa dentro da cela em péssimas condições de convívio o preso brasileiro precisa de muito trabalho, disciplina, educação, e formação humanística o que provavelmente poderá levá-lo a conscientização do mal que suas práticas delituosas fazem a ele mesmo e a sociedade.
*Conceicão Cinti
Uma melhor qualidade de vida, através do trabalho e do estudo dar ao preso uma nova perspectiva de vida e, já esta comprovada que essas atividades têm influência positiva na autoestima do preso despertando-o para um novo direcionamento para sua vida.
A Diretora da Funap acredita que até 70% dos detentos podem ser recuperados se tiverem a chance de estudar e trabalhar, o que também ajudaria a diminuir a superlotação nos presídios. Na pratica esses programas levam em consideração o histórico de vida do preso, como trabalho, educação, família e religião. A partir deles, a Funap pensa nas diretrizes.
A metodologia que o Brasil vem insistindo sem êxito para a resssocialização do preso é totalmente inadequada porque mantém o preso no ócio, na maioria das vezes em condições desumanas e sem nenhuma chance de progresso no seu “status quo”. É sem duvida um método falido que contribui para aumenta a reincidência com alto custo aos cofres públicos.
*Conceição Cinti . Advogada.Educadora. Especialista em Tratamento de Dependentes de Substâncias Psicoativas, com experiência de mais de 27 anos.
Fonte da foto: Internet
*Conceicão Cinti
Uma melhor qualidade de vida, através do trabalho e do estudo dar ao preso uma nova perspectiva de vida e, já esta comprovada que essas atividades têm influência positiva na autoestima do preso despertando-o para um novo direcionamento para sua vida.
É o que afirma Lucia Casali diretora-executiva da Funap (Fundação de Amparo ao Preso), responsável por organizar os cursos e as vagas de trabalho aos presos de todo o Estado de São Paulo que concentra o maior número de detentos do país: 170.916.
Em todo o Brasil há mais de 96 mil presos trabalhando. O número parece alto, mas representa apenas de 19% de toda a população carcerária brasileira, de 496.251 pessoas.
Lúcia tem 64 anos e trabalha com presos há 40, desde que se formou em direito em 1970. Começou a trabalhar para o Estado em 1982, quando entrou no Ministério Público Estadual para lidar com execuções penais. Como corregedora dos presídios, diz ter freqüentado as penitenciarias e “conhecido tudo”.
Lúcia tem 64 anos e trabalha com presos há 40, desde que se formou em direito em 1970. Começou a trabalhar para o Estado em 1982, quando entrou no Ministério Público Estadual para lidar com execuções penais. Como corregedora dos presídios, diz ter freqüentado as penitenciarias e “conhecido tudo”.
A Diretora da Funap acredita que até 70% dos detentos podem ser recuperados se tiverem a chance de estudar e trabalhar, o que também ajudaria a diminuir a superlotação nos presídios. Na pratica esses programas levam em consideração o histórico de vida do preso, como trabalho, educação, família e religião. A partir deles, a Funap pensa nas diretrizes.
Os benefícios são muitos, como conta a diretora-executiva da Funap. Os presos que trabalham têm sua pena reduzida em um dia para cada três trabalhados. Já os que estudam a reduzem em um dia a cada 12 horas de frequência escolar.
Obrigados pela Lei de Execuções Penais a oferecer trabalho e cursos, os Estados enfrentam uma série de dificuldades para cumprir a lei: os professores têm medo da violência e reclamam muito dos salários, nem toda unidade prisional tem espaço físico para instalação dos cursos que além de legal é o caminho mais fácil para a ressocialização do preso e precisa ser incentivado expandido.
Não há bomba mais devastadora do que deixar pessoas a deriva sem expectativa de futuro! É assim que vive o preso brasileiro, sinônimo de lixo não reciclável. Pessoas imprestáveis e inúteis, portanto descartáveis, torturáveis, mortáveis!
Obrigados pela Lei de Execuções Penais a oferecer trabalho e cursos, os Estados enfrentam uma série de dificuldades para cumprir a lei: os professores têm medo da violência e reclamam muito dos salários, nem toda unidade prisional tem espaço físico para instalação dos cursos que além de legal é o caminho mais fácil para a ressocialização do preso e precisa ser incentivado expandido.
Não há bomba mais devastadora do que deixar pessoas a deriva sem expectativa de futuro! É assim que vive o preso brasileiro, sinônimo de lixo não reciclável. Pessoas imprestáveis e inúteis, portanto descartáveis, torturáveis, mortáveis!
Na minha experiência de mais de três décadas como gestora de Programa de Recuperação para Dependentes de Substâncias Psicoativas pude verificar na prática que o índice de recuperação de presos em determinados casos e circunstancias poderá até ultrapassar os 70% como assegura Lucia Casali perita no assunto.
A metodologia que o Brasil vem insistindo sem êxito para a resssocialização do preso é totalmente inadequada porque mantém o preso no ócio, na maioria das vezes em condições desumanas e sem nenhuma chance de progresso no seu “status quo”. É sem duvida um método falido que contribui para aumenta a reincidência com alto custo aos cofres públicos.
Mesmo que muitos não se importem em respeitar a dignidade da pessoa humana do preso hão de convir que a dinâmica do cárcere brasileiro é um lugar totalmente prejudicial ao preso e por consequência à própria sociedade.
Depois de cumprida a pena, ao invés de uma pessoa “ressocializada”, ou, ao menos, apta para prover o seu próprio sustento e não voltar a delinquir, a sociedade ganha um criminoso ainda mais experiente, mais revoltado porque não lhe deram a chance de prender nada novo. De promover nenhuma mudança em sua vida. Pense nisso!
Depois de cumprida a pena, ao invés de uma pessoa “ressocializada”, ou, ao menos, apta para prover o seu próprio sustento e não voltar a delinquir, a sociedade ganha um criminoso ainda mais experiente, mais revoltado porque não lhe deram a chance de prender nada novo. De promover nenhuma mudança em sua vida. Pense nisso!
*Conceição Cinti . Advogada.Educadora. Especialista em Tratamento de Dependentes de Substâncias Psicoativas, com experiência de mais de 27 anos.
quinta-feira, 1 de março de 2012
COMUNIDADE TERAPÊUTICA: SUA IMPORTÂNCIA NO ATENDIMENTO A DEPENDENTES EM SPA.
Foto: COMUNIDADE TERAPÊUTICA ESQUADRÃO DA VIDA
Comunidade Terapêutica: sua importância no atendimento a dependentes em SPA.
Parte I
*Conceição Cinti
Da ausência do estado no atendimento antes da criação dos Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CAPSaD) e também depois da implantação destes, as CT, foram históricamente e até hoje o segmento que mais oferece tratamento psicossocial a dependentes de SPA. Ou seja, as entidades do terceiro setor que atuam na prevenção, tratamento e reinserção social de pessoas dependentes de substâncias psicoativas são responsáveis hoje por 90% do atendimento de pessoas dependentes em SPA no Brasil. (Site www.forum3sdrogas.org.br.).
O que denominamos Comunidade terapêutica?
As comunidades terapêuticas são serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso e abuso de substâncias psicoativas (SPA), em regime de residência ou outros vínculos de um ou dois turnos, segundo modelo psicossocial. Este, por sua vez, corresponde os serviços de atendimento alternativos ao hospitalar e ao ambulatorial convencional, como foco na área psicológica e social da pessoa, e no atendimento multidisciplinar.
*Conceição Cinti, advogada e especialista em tratamento de jovens drogados. Visite o blog de Conceição Cinti:
http://educacaorestaurativa.blogspot.com/
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
SINTO VERGONHA DE MIM - TEXTO CLEIDE CANTON / RUI BARBOSA
"Eu também sinto vergonha de mim e de ti meu Brasil! Mas tenha certeza que nunca vou baixar a guarda na luta por mais justiça social, educação,direito e liberdade ! "
(*Conceição Cinti)
* Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
ALÉM DA VIOLÊNCIA EPIDÊMICA...
Fonte da foto: Internet
Além da violência epidêmica diária temos a sazonais provocadas por fenômenos da Natureza!
*Conceição Cinti
A época das chuvas tem-se transformado também em época de tragédias, dramas que são perfeitamente presumíveis e que poderiam ser evitados se houvesse vontade política por parte dos governantes na implantação de políticas públicas de prevenção. A população de morros ou ribeirinhas, em sua maioria constituída por pessoas de menor poder aquisitivo, com raras exceções, também são as vítimas da violência sazonal.
Isso significa que além da violência diária há época no ano que o número de vítima aumenta por fenômenos da natureza. Famílias que trabalham arduamente para conseguir o sonho da casa própria e consegue as duras penas levar para dentro do lar um pouco de conforto e, até sentem orgulho em poder presentear a família com um eletrodoméstico novo. Perdem não apenas seus pertences nessas horas de horror, mas também a autoestima, a motivação para começar de novo, a esperança, a saúde física, emocional e o rumo da vida.
A mídia televisiva mostra sempre o ápice da tragédia depois cada um pega seu rumo. Pouco é divulgado sobre esse traumático impacto sobre a família resultando em desemprego, separação, abandono dos filhos. Onde o emocionalmente mais frágil se torna andarilho, morador de rua, alcoólatra, dependente de substâncias psicoativas, que fragilizados tornam se refém fácil dos criminosos, traficantes e ai instala-se um novo e trágico círculo do qual não conseguem mais sair.
Farrapos humanos abandonados à mercê da irresponsabilidade de um poder público fraco, negligente, essas vítimas passam a engrossam as estatísticas dos que perambulam pelas ruas ou ancoram nas cracolândias pelo Brasil afora. Cada um carrega sua história particular de vida, cujas causas são comuns a todos: pobreza, abandono, baixo nível de escolaridade itens que os mantém presos para sempre nessa vala de miséria e dor.
O Brasil nunca levou a sério prevenção. As políticas públicas de prevenção em todas as áreas são incipientes e consequentemente os resultados são pífios.
*Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes.
domingo, 15 de janeiro de 2012
A SOCIEDADE ATUAL E A IDEAL
A Sociedade Atual
*Conceição Cinti
Como demonstrado no gráfico acima, a sociedade brasileira por sua cultura e situação econômica, assume uma postura separatista, colocando cidadãos que não se encaixam em um perfil pré-determinado em uma posição marginalizada, com forte tendência a agravar-se, mais quando somados aos preconceitos nomeados na parte cinza do gráfico. Já o circulo menor, localizado ao centro, representa a sociedade brasileira, com seus direitos assegurados no artigo 5º da nossa Carta Magna,
A fim de estabelecer comunicação entre estes dois mundos em uma mesma nação, a seta com a inscrição “INSERÇÃO”, representa o que hoje são consideradas ferramentas do Governo que são: escolas públicas, instituições não governamentais, centros profissionalizantes, hospitais, ginásios esportivos comunitários, etc.
Infelizmente esta ponte de acesso à cidadania, está obstruída pelo preconceito, discriminação, exclusão, despreparo, psicológico e pedagógico das pessoas incumbidas em administrar e materializar a Lei.
Não estamos querendo culpá-las, mas mostrar que no exercício dessa tarefa, é extremamente necessário dar o melhor exemplo ao restante da sociedade, assumindo um comportamento diferenciado, com compromisso de valorização, respeito e igualdade as classes menos favorecidas, para que haja a recuperação da dignidade, da auto-estima da sociabilidade.
Na verdade muitos falam em reinserção, mas não se trata de reinserção, pois estas pessoas marginalizadas pela sociedade nunca foram inseridas nesse contexto social de cidadania, nunca usufruíram direitos garantidos por nossa Lei e Constituição, só conhecem deveres, que por consequência, torna-se uma reação em cadeia, resultando os altos índices de drogadição, prostituição e criminalidade.
As Instituições não governamentais convivem com esses problemas diariamente e apesar de ser uma das ferramentas do Governo, por promover o que a Lei garante as crianças e Jovens, vêem-se, muitas vezes, de mãos atadas, pois são coagidas por pensamentos retrógrados dos administradores públicos que penalizam a sociedade marginalizada, justamente por não ter essa consciência de unidade em busca da cidadania para todos os brasileiros.
Um exemplo disso é o tratamento negativo que as crianças e os jovens dependentes recebem nas escolas públicas, tratamento este que deveria ser amoroso e não opressor. Vemos claramente a falta de preparo para administrar problemas que fogem da normalidade, mas que não ultrapassam a competência da escola. A Comunidade Terapêutica como escola de prevenção, reabilitação e treinamento de profissionais para lidar com esta nova e assustadora realidade do avanço das drogas, cumpriu seu papel quando com antecedência alertava a sociedade e o Poder Público da necessidade da rede de ensino estadual e municipal passar por um processo de treinamento e informação a respeito de menores portadores de dependência ou infratores, e que são alunos (ou deveriam ser), até por obrigação imposta pela Carta Maior e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, mas não houve por parte do Poder Público nenhuma movimentação para adequar espaços físicos para acolhê-los, nem capacitar os professores e operadores da saúde para enfrentarem adequadamente esse a nova classe de aluno/ paciente. Continuar tentando resolver problemas pertinentes às áreas da educação, saúde e social com medidas repressivas não é saída apropriada, pois irá desencadear ainda mais violência que é cega e atinge a todos nós, não tendo fronteiras de classe social, como temos assistido dia a dia.
Sabemos das péssimas condições do ensino público, e que não é diferente das condições impostas à saúde em todo o país, escolas e hospitais sucateados, e o pior a desvalorização do professor e do médico do SUS são lamentáveis e inaceitáveis. Não há tradição do comprometimento com os profissionais da educação e da saúde por parte do Poder Público, nem a busca constante pelo aprimoramento e a excelência dos serviços públicos prestados aos mais carentes. No caso da educação a situação está complicada porque quem antes atendia apenas alunos, hoje terá que atender um nova categoria de aluno, o aluno/paciente, o dependente de substâncias psicoativas. É preciso ficar atento para essa nova realidade, os alunos não são os mesmos de décadas atrás, mudou-se a “clientela” no aspecto comportamento pela ausência da intervenção do Poder Público com políticas públicas consistente e adequadas para as áreas de Prevenção e Restauração de Pessoas.
A escola sempre teve e sempre terá um “papel” fundamental junto à família do aluno, esse elo entre escola e família precisa ser reforçado, mormente hoje que a família está muito desestruturada. A escola será a continuidade da família do aluno, sendo assim os professores precisam ser dignamente remunerados e não devem ficar estagnados em apenas preparar tecnicamente o aluno para o mercado de trabalho, mas prepará-lo em conjunto com a família para enfrentar os graves problemas sociais e a se relacionarem com as demais pessoas.
Gostaria de ir mais além, colocá-los a imaginar uma cena que faz parte da realidade do nosso país. Sabemos que família e escola são dois alicerces na formação do caráter de uma pessoa. Imagine uma criança ou um jovem desamparado e ignorado pela família, o que resta? Somente a escola. Agora imagine essa mesma criança ou jovem também recebendo este mesmo tratamento do corpo docente de sua escola ou instituição. O que acontecerá? Por estudos na área da psicanálise e por dados estatísticos, essa criança ou jovem tende a procurar pessoas que o acolham, essas pessoas, na maioria, são bandidos, traficantes e exploradores sexuais. É o que infelizmente temos assistidos nos dias de hoje.
Outro exemplo a ser explanado é a visão de muitas entidades que lidam com crianças e adolescentes, preocupando-se apenas com o sustento físico e com a reabilitação temporária. São, na verdade entidades sem compromisso com a cidadania, uma vez que enquanto mantém a criança ou o adolescente em internação, acham por suficiente e encerrado seus trabalhos, não enxergando que seus internos atingirão a maioridade e não terão uma profissão que os permita seguirem seus destinos com autonomia financeira, o que evitaria a reincidência. Muitas dessas entidades, pela visão comodista e até mesmo subliminarmente preconceituosa, acabam tornando-se meras prisões com o fim de separar o que é considerado “ruim” da sociedade produtiva. Não seria o caso da Fundação Casa? Quando esses jovens chegam ao mercado de trabalho, estão completamente despreparados tornando-se presas fáceis dos criminosos traficantes e exploradores sexuais.
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A Sociedade Ideal
Para concretizar o gráfico acima materializando-se a sociedade ideal é preciso enterrar velhos hábitos e conceitos defasados, e adquirir a tão necessária consciência e valorização da cidadania, rumo a uma sociedade igualitária. Não estou me referindo a uma sociedade utópica onde não haja problemas e dificuldades, mas a uma sociedade que possua ferramentas práticas e não teóricas capaz de conter essa linha ascendente maligna que avança cada dia mais, contra a liberdade, o direito e a vida das pessoas miseráveis, parafraseando o jurista empreendedor e educador, Luiz Flávio Gomes, a única classe de pessoas prisionáveis, torturáveis e mortáveis do Brasil. Devemos assumir esse posicionamento humanitário para todos os brasileiros, em especial as crianças e aos adolescentes, uma vez que são muito mais susceptíveis a mudanças que um adulto. Ainda há tempo para mudar o futuro deste país.
*Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
FAXINA NA CRACOLÂNDIA
Fonte imagem: Internet
Faxina na Cracolândia
*Conceição Cinti
Por falta de Morros “famosos” como os do Rio de Janeiro, numa ação integrada, o Governo Estadual e a Prefeitura de São Paulo, se unem não para promover a adequada profilaxia contra as drogas, mas por pura estratégia de marketing decidem evacuar os dependentes da Cracolândia do Centro de São Paulo. Sem programas de políticas públicas definidos para o tratamento dos dependentes, nem local apropriado para acolhê-los. Evitar a exposição desses “mortos vivos” em áreas nobres e evacuar os viciados do Centro, não significa acabar com o problema, mas retardar a solução, transferindo-os de forma aleatória para outros logradouros.
Nada contra os investimentos e esforços necessários para revitalizar espaços comerciais e culturais, que sem dúvidas proporcionarão mais qualidade da vida urbana, mais segurança, além de incentivar investimentos, que possibilitarão o aumento de empregos e do turismo, o reprovável em atitudes como essas é priorizar o avanço do progresso, sem apresentar nenhuma alternativa para solução da dependência no Estado.
Com essa atitude as autoridades: estadual e municipal demonstraram inaptidão, para lidar com esse grave problema social e de saúde pública delegando erroneamente, a responsabilidade desses “míseros enfermos” a Polícia Militar, que apenas executou ordens. Na força espoliaram os miseráveis retirando deles seus únicos pertences: trapos. Como diz o renomado Jurista Luiz Flávio Gomes, nesse país, essa categoria de pessoa que é só corpo, é torturável, aprisionável e mortável.
Com essa atitude as autoridades: estadual e municipal demonstraram inaptidão, para lidar com esse grave problema social e de saúde pública delegando erroneamente, a responsabilidade desses “míseros enfermos” a Polícia Militar, que apenas executou ordens. Na força espoliaram os miseráveis retirando deles seus únicos pertences: trapos. Como diz o renomado Jurista Luiz Flávio Gomes, nesse país, essa categoria de pessoa que é só corpo, é torturável, aprisionável e mortável.
Muito tem se falado e escrito sobre o perfil desse novo tipo de dependente, e das dificuldades para convencê-lo a aceitar tratamento, devido as grandes alterações que a droga provoca na personalidade e em seus valores éticos, além de torná-los desconfiados e arredios ao contato com pessoas que não façam parte do seu mundo, o das drogas. Há no perfil desse novo paciente, até recentemente definido legalmente como marginal, uma insanidade muito semelhante ao dos comportamentos xiitas em suas práticas radicais. Focado, exclusivamente, na busca pela próxima pedra, o usuário de crack não se importa em morrer ou matar para satisfazer sua necessidade da droga demonstrando total ausência de autocontrole e subserviência ao vício. Há nesse vício algumas especificidades que não encontramos em outras substâncias psicoativas, o que sugere que as pessoas adequadas para atuar no tratamento do dependente de Crack, tenham além do conhecimento teórico, vocação para lidar com o ser humano e experiência de campo.
Pressão, faxina e repressão são instrumentos recomendados na guerra contra o traficante, mas é perversa e desnecessária sua utilização para coagir o dependente químico!
Para combater a dependência que assola o Brasil parece que o mais apropriado é a implantação de reformas estruturais e de base, concomitantemente, com políticas públicas voltadas especificamente para o tratamento do dependente, sob a direção de pessoas, que tenham experiência em lidar com o ser humano, preservando sua dignidade. Porém a verdadeira saída somente virá através da Educação Restaurativa.
* Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
BEM-VINDOS AMIGOS:
Fonte da foto: Internet
Bem-Vindos Amigos
“Bem-vindos Amigos! Nesse “Espaço Democrático" desejamos compartilhar entre outras coisas, comportamentos e fatos reais, vivenciados no nosso dia a dia passiveis de uma releitura, para que a nossa qualidade de vida seja melhorada. Nosso primeiro tema será o Preconceito, que em muitos de nós é velado, mas que na prática é o responsável pela maioria das nossas enfermidades sociais.”
(Conceição Cinti)
Advogada e Educadora.
Especialista em Dependência de Crack e demais substâncias psicoativas.
Com 27 anos de experiência no trabalho com dependentes.
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