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segunda-feira, 12 de março de 2012

Fantastico Brasil se inspira nos EUA para tratamento de dependentes de crack



Brasil e EUA trocam punição por tratamento a usuários de crack

 

 

O Fantástico mostra histórias de esperança, projetos que estão ajudando os usuários dessa droga terrível a retomar a vida.

 

A luta do Brasil contra o crack: o Fantástico mostra histórias de esperança, projetos que estão ajudando os usuários dessa droga terrível a retomar a vida. Um dos modelos que inspirou algumas iniciativas brasileiras veio da justiça americana. Lá, oito em cada dez dependentes que participam de um programa de reabilitação conseguem se livrar das drogas. 

Miami, 23h. Quando a busca é por usuários de drogas, o endereço é certo. Uma das chamadas “crack-house” em Miami é uma das poucas que ainda existem. São casas, lugares abandonados onde as pessoas se reúnem para usar drogas. Lá, o policial verifica se há alguém no local. 

“Se você comparar com alguns atrás agora está mais fácil. Não há muitos usuários de drogas nas ruas. Menos do que antes, com certeza”, conta o policial. 

Miami, nos anos 1980 e 1990, era maconha e cocaína. Crack e heroína. Eram drogas que poluíam as ruas, destruíam as mentes e desafiavam a polícia. 

Entre as estratégias para combater o problema estavam as prisões e a destruição das “crack-houses”, território dos usuários de drogas. Mas nada disso era suficiente. Repressão não era a saída. 

Um dos métodos mais eficientes de combate às drogas no mundo nasceu em uma sala do Tribunal de Drogas de Miami. Desde que esse tribunal foi criado, em 1989, o número de crimes caiu 33%. Oito em cada dez dependentes que chegam ao tribunal conseguem abandonar as drogas. 

Funciona assim: o usuário é flagrado com uma pequena quantidade de entorpecentes. Vai preso, porque em Miami isso é crime. Passa uma noite na cadeia e segue para o tribunal. Se não tem nenhum histórico criminal a juíza pergunta: “Você quer participar do programa?”. 

Dura um ano. Exigência número 1: fazer exame de urina a cada sete dias. Número 2: ir duas vezes por semana a um psicólogo. A terceira exigência a equipe de reportagem do Fantástico acompanhou. 

Às 21h, em Miami, em uma casa, assim como em muitos outros locais da cidade, há um encontro de narcóticos anônimos. São usuários de drogas que se reúnem para trocar experiências. Mas mais do que isso: cumprir uma determinação da Justiça. 

Eles não mostram o rosto, mas é possível identificá-los pela voz. São brasileiros. “Estamos nas garras de uma doença progressiva que termina sempre da mesma maneira: prisões, instituições e morte”, diz um usuário. 

Eles se juntam duas vezes por semana. Um ajuda o outro a controlar a dependência e ainda contam ponto perante a Justiça. Aí se entra na quarta exigência do programa do Tribunal de Drogas de Miami: a prestação de contas. Uma vez por mês todos fazem fila para se apresentar à juíza. 

O porto-riquenho Martin Cavallero apresenta os comprovantes de que cumpriu todos os requisitos. Diz onde está morando e trabalhando e recebe os parabéns. Se não tiver uma recaída, daqui a um mês completará o programa. “O mais importante para mim é ter o nome limpo”, diz Martin. 

Quem cumpre o programa não se afasta apenas das drogas. Fica sem histórico criminal e apaga esse passado de entorpecentes. 

Quem comanda esse tribunal, todo decorado com avisos sobre o perigo das drogas, é Deborah White-Labora. “Tudo o que existe no programa está disponível na sociedade. Mas quando uma pessoa vem aqui, ela se sente motivada e percebe que está sendo monitorada”, diz a juíza. 

A dependência quase arruinou a vida do advogado Richard Baron. Graças ao programa, conseguiu reconquistar tudo o que tinha: a mulher, os filhos e o trabalho. “No colégio, comecei a beber e fumar maconha. Alguém disse: ‘Experimente isso’. Era crack e cocaína. Por três anos e meio eu usei essas drogas”, conta. 

Hoje, Richard Baron ajuda financeiramente o Tribunal de Drogas de Miami. Paga quatro advogados, que ajudam na defesa dos dependentes. Assim, o programa acaba se tornando mais eficiente do que manter qualquer pessoa na cadeia. 

A cada US$ 1,00 gasto no tratamento, cerca de R% 1,70, o governo economiza mais de US$ 3 em gastos com prisões. 

David Kahn é um ex-promotor de Justiça que trabalhou durante seis anos no Tribunal de Drogas. E hoje ele mostra como ficou uma área que, há duas décadas, era devastada pelo crack e pela cocaína. “A situação aqui explodiu, assim como no seu país. A mesma coisa”, afirma o ex-promotor David Khan. 

David Khan já esteve no Brasil várias vezes para tentar implantar o programa que hoje existe em 2,5 mil cidades no mundo. Khan visitou a Cracolândia paulista e vê uma diferença simples entre o que foi feito nos Estados Unidos e o que é feito no Brasil. “Nós não nos limitamos a tirar essas pessoas daqui. Nós damos a elas uma chance de vida saudável, longe das drogas”, compara o ex-promotor David Khan. 
 Projeto em São Paulo troca punição por tratamento 


Será que um sistema igual ao americano funcionaria bem no Brasil? O Fantástico mostra como a Justiça brasileira está mudando a maneira de lidar com o usuário de drogas. Um homem tinha uma ordem de não chegar a menos de cem metros da filha por causa da dependência. 

“Quando eles me pegaram, fazia mais de 30 dias que eu não escovava os dentes”, revela o homem. 

Ele foi parar no Fórum de Santana, em São Paulo, onde funciona um projeto chamado “Justiça Terapêutica”, que dá uma chance para quem é flagrado com drogas. Se ficar claro que a pessoa estava com entorpecentes somente para consumo, ela tem a chance de trocar a punição pelo tratamento. 

“Tanto a Corte americana quanto a Justiça Terapêutica brasileira trabalham no sentido de evitar que aquele que foi preso e teve problemas com drogas receba atenção na área terapêutica para evitar a repetição do uso da droga e novos crimes”, afirma Mário Sérgio Sobrinho, do Fórum de Santana. 

Desde que o programa paulista começou, há dez anos, quase mil pessoas já participaram. O homem que não podia chegar perto da filha é um deles. Para ficar com a ficha limpa, ele é obrigado a frequentar o programa “Narcóticos Anônimos” e precisa comprovar a frequência. A cada sessão, recebe um carimbo na ficha. Desde que começou a participar das reuniões, largou as drogas e conseguiu ter a família de volta. 

“Estou vivo, ando de cabeça erguida, consigo olhar as pessoas nos olhos. Consigo ficar com a minha filha, dar um bom exemplo para ela”, diz o homem. “Se a Justiça Terapêutica não tivesse dado essa chance, hoje você estaria onde?”, indaga o repórter. “Preso ou morto”, responde o homem. 

A experiência da Justiça pernambucana é ainda mais radical. O foco são os bandidos que cometem outros crimes por causa do uso de tóxicos. Troca a prisão pelo compromisso de ficar longe das drogas. 

“Ele deve ser tratado. Tratar significa para a Justiça deixar de usar droga. Não é reduzir, mas deixar plenamente. Se ele consegue isso durante dois anos, ao final do período ele está reabilitado do uso da droga e, ao mesmo tempo, o processo dele é extinto. Ele não deve mais nada à Justiça”, explica José Marques Costa Filho, psiquiatra responsável pelo Centro de Justiça Terapêutica de Pernambuco.

“O país tem cinco regiões diferentes, com culturas diferentes. Quando tem uma posição desse tipo, com um juiz tentando fazer um trabalho, mesmo que a recuperação seja pequena, eu acho que vale a pena investir”, avalia o psiquiatra Artur Guerra. 

Essas são alternativas para quem tem contas a acertar com a Justiça. Mas o que fazer se você tem um parente dependente das drogas? A quem recorrer? 

“Primeiro lugar, buscar o centro de atenção psicossocial do seu município ou do seu estado, e estou dando como alternativa procurar o 136 do Ministério da Saúde, número que pode ajudar a identificar no seu município, no seu estado, e o ministério vai ajudar nisso: a buscar uma unidade de saúde que pode acolhê-lo”, afirma o ministro Alexandre Padilha. 

No fim de 2011, o governo federal lançou um plano nacional para enfrentar o problema. Liberou R$ 2 bilhões para que os municípios invistam em diferentes tipos de tratamentos. O ministro da Saúde admite que o Sistema Único de Saúde (SUS) não está pronto para lidar com o crack. 

“Nós temos que ter tratamento para esse caso como uma epidemia, e toda epidemia que desafia o serviço de saúde, exige que ele se reorganize”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

Dez cidades foram consideradas prioritárias. Nelas, os agentes de saúde vão a campo buscar quem precisa de ajuda. Na noite de sexta-feira (9), a equipe de reportagem do Fantástico acompanhou o trabalho da equipe do projeto Consultório de Rua, no Centro de São Bernardo. A intenção é oferecer ajuda e tratamento aos usuários de crack e cocaína para que eles abandonem as drogas. É um trabalho difícil e de muita conversa. 

Um usuário conta que tem 22 anos, dois filhos pequenos e está sem aparecer em casa há três dias. Ele diz que aceita ser atendido em um CAPS, um centro de atendimento sem internação. “Eu tenho capacidade de consertar minha vida de novo e eu vou consertar”, promete. 

Mas para pacientes que precisam ser internados, que estão pondo em risco a própria vida ou a de outras pessoas, a solução pode ser a casa de acolhimento. Um lugar onde se reconstrói a vida. 

Adriana usou crack por 20 anos e sumiu no mundo. Depois de passar por cinco clínicas diferentes, conseguiu sair do buraco fazendo os outros rir. Na terapia, ela foi convidada a fazer parte de um grupo de palhaços. A brincadeira trouxe de volta algo muito sério. 

“O juiz, inclusive, ia fazer atestado de óbito provisório para minha família. E aí dei uma entrevista do grupo de palhaços e minha família me viu na televisão e me achou”, conta Adriana. 

Onde não há os serviços públicos, há cidades investindo em soluções que só eram acessíveis para quem podia pagar. “Você se prostitui, você rouba, trafica. Eu abandonei meus filhos. Cuidei dele por menos de 2 anos, praticamente ficou sem a mãe”, lembra. 

A família de Bruna pagou o tratamento em uma clínica por três meses. Quando não teve mais condições, recebeu um cartão de assistência do governo de Minas Gerais. São R$ 900 por mês. “Foi uma benção”, se emociona. 

Bruna ainda sente medo da rua, mas já consegue sair e passar o fim de semana em casa. A família tem um papel fundamental na recuperação do usuário de drogas. 

“Eu vou procurar fazer meu papel de mãe melhor. Talvez eu tenha falhado em alguma coisa, talvez tenha faltado diálogo, um puxão de orelha. Eu não vou perdê-la pela segunda vez. Eu perdi e recuperei, agora não perco mais”, afirma a mãe de Bruna.

Fonte:
http://fantastico.globo.com/videos/t/edicoes/v/brasil-se-inspira-nos-eua-para-tratamento-de-dependentes-de-crack/1851901/

sábado, 4 de fevereiro de 2012

COMPLEXO O TRATAMENTO DO ADICTO

Fonte da foto: Internet


Complexo o tratamento do adicto: Informe-se com profissionais idôneos, reflita e verá que alguns procedimentos apesar de aparentemente polêmicos são de fato necessários! 

*Conceição Cinti


Restauração de pessoas apesar de não ser um assunto familiar tão quanto à restauração de objetos de arte é perfeitamente possível. O fato é que a Restauração de Pessoas demanda antes de qualquer titulação acadêmica primorosa, vocação, generosidade, persistência de ambas as partes: dos pais e da equipe multidisciplinar que irá assistir ao adicto, porque com a participação do dependente, só mais para diante é que ele terá condições de cooperar. 
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Não podemos esquecer-nos da imprescindível compaixão, que nesse caso quer dizer: ver, ouvir, compreender e ser capaz de dizer e fazer o que precisa ser feito adequadamente, para proteger e restaurar com dignidade alguém que numa fase de profunda complexidade existencial está sem condições de autoadministrar-se, dando lhe a chance para dar outro destino à sua existência. 

Na verdade esse é o procedimento correto, mas dá muito trabalho, essa é uma das razões, um dos panos de fundo indizível aos pais de dependentes em busca de soluções rápidas e fáceis, e médicos antiéticos interessados mais nos lucros que com o destino dos seus pacientes, diante de uma recompensa que em muitos casos é inexaurível. 
O País está divido entre favoráveis e contrários a internação involuntária. As pessoas que acreditam em restauração e têm experiência de longos anos nessa área sabem que a internação involuntária se impõe e mais, que um paciente adicto recorrente não há como assisti-lo sem que seja em regime de internato. 

E para esses casos a família e o Poder Público são os únicos que podem e têm o dever de evitar abusos contra a dignidade os direitos e garantias individuais dessas vítimas. Participe! Faça a sua parte! 

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Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes


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http://www.justocantins.com.br/noticias-do-brasil-7560-complexo-o-tratamento-do-adicto-informe-se-com-profissionais-idoneos-reflita-e-vera-que-alguns-proce.html



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O MAIS POBRE É LESADO EM TUDO! VOCÊ CONCORDA COM ISSO?


Fonte da foto: Internet


O mais pobre é lesado em tudo! Você concorda com isso? 

*Conceição Cinti


O tratamento convencional utilizado em pacientes com dependências psicoativas utiliza apenas o método cientifico, inclusive, admite que a dependência psicoativa seja uma doença para a qual a medicina ainda não tem respostas definitivas. 

Enquanto, a Comunidade Terapêutica sem desprezar o valor da ciência emprega o método misto que concilia ciência e espiritualidade, espiritualidade aqui entendida como a fé no Poder de Deus, por acreditar que há áreas na vida do ser humano que só Deus pode e é capaz de alcançar e solucionar. 

Hospital psiquiátrico que faz parte do sistema de saúde pública, não presta ao adicto nenhuma assistência consistente progressiva, tudo é feito em caráter paliativo já que não acredita na cura do dependente. 

Apesar dos avanços da ciência para a área da dependência de substâncias piscoativas, pouca coisa mudou, dentre elas a substituição da velha camisa de força de pano pela camisa de força química.

Quando falamos atendimento de caráter paliativo ao dependente é porque na prática é isso mesmo que acontece. Até o tempo que esse tipo de paciente permanece dentro de um hospital psiquiátrico é apenas o suficiente para a desintoxicação. Se o paciente tem recursos financeiros esse período num hospital particular ou mesmo num hospital psiquiátrico fica à mercê do bolso e da conveniência da família. Entretanto, se o paciente e uma pessoa pobre há um prazo prefixado, que não é confessado, mas está implícito: e esse prazo nunca ultrapassar duas semanas, mesmo para paciente com dependência severa. 

Até compreendemos essa situação de dependência/carência financeira da rede pública, diante dos repasses diminutos e demorados, somados a pouca importância dada à instituição de saúde especial, a Psiquiatria e seus valorosos profissionais. Mas temos que admitirmos que aqui também é o pobre o lesado. 

A saúde é garantida para todos na nossa Carta Magna. Precisamos lutar para transpor esse direito para a prática. Aprende a votar Brasil! Fique a vontade esse “Espaço” é democrático participe! Dê sua sugestão! 
 *Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

DESMISTIFICANDO O TRATAMENTO DO CRACK!

Desmistificando o tratamento do Crack! 

 *Conceição Cinti  


Um dos Institutos de Pesquisa de grande confiabilidade, o Datafolha, em recente levantamento detecta que 9 em cada 10 brasileiros concordam com o internamento involuntário ou obrigatório do usuário de crack. De fato são necessários esses procedimentos não apenas pelo avanço da epidemia que assola o país, mas porque não há outra saída para impedir que dependentes sejam assistidos e tratados evitando mais mortes. Porém nesse caso é imprescindível garantir a dignidade e os direitos e garantias individuais dessas pessoas.
Ainda segundo o Datafolha, essa modalidade de internação tem o apoio da maioria dos psiquiatras e o repúdio dos psicólogos. Não sabem ainda os psicólogos que o Brasil nunca precisou tanto da união dessas duas importantes classes de profissionais? 

O assunto é complexo, traz à tona um paciente novo, até recentemente denominado delinquente, o adicto. Também fica claro uma preocupação maior com o dependente de crack. E essa preocupação é plenamente justificável no momento em que esse novo paciente se mostra resistente ao tratamento tradicional que vem sendo usado pelo poder público. 

Apesar de algumas discordâncias estamos evoluindo rumo a uma solução mais adequada a esse grave problema de saúde. A mídia deu visibilidade ao tema como nunca antes fora feito. Graças à abordagem adequada que a mídia tem dado a pessoa do adicto, já se percebe o engajamento de alguns setores da sociedade civil o que sem dúvida vai apressar e contribuir para uma releitura dos velhos procedimentos e quem sabe o surgimento de nova padronização do tratamento desse novo paciente, não confessado, mas pouco familiar a todas as áreas. 

O acolhimento e tratamento do usuário de substâncias psicoativas, em particular do usuário de crack, por parte do poder público, entram em pauta com uma defasagem de mais de 15 anos. Esse tipo de paciente, como já foi dito nesse “espaço”, desde 1976, vem sendo acolhido e tratado pelas instituições sem fins lucrativos, atendendo aos apelos dos próprios dependentes e seus familiares, o fez em razão da falta de políticas públicas de restauração de pessoas. 

Portanto essas instituições pioneiras no acolhimento e tratamento a esses enfermos prestaram um relevante serviço voluntariamente e alcançam até hoje os melhores resultados em restauração de pessoas, e não podem ser rechaçados por vários motivos: Sendo o principal deles a vocação e amor incondicional por pessoas em condições existenciais precárias. É hora de somar esforços para enfrentar essa luta que não tem dono, é de todos! 

Esses valorosos voluntários têm obtido êxito detém nos procedimentos de  abordagens com os dependentes. Na verdade a história do acolhimento e tratamento desse paciente, hoje disputado por outras áreas do conhecimento, outrora, e até bem recentemente, era ignorado e repudiado pela sociedade civil e poder público, sendo essa a razão que contribuiu para a vitimização de todas as classes sociais. 

Às vezes tenho a nítida impressão que para que alguma coisa seja feita em benefício dos mais pobres, é necessário que as pessoas que detém maior poder econômico sejam vitimadas e, a partir desse fato, providências sejam tomadas e delas aproveitem os miseráveis. Será mesmo uma impressão particular distorcida de nossa parte ou esse horror é uma realidade em nossos pais? 

Com experiência de mais de 27 anos nessa área consideramos que a internação involuntária ou obrigatória imprescindível para todos os dependentes de crack.
Dependente é considerada toda pessoa que não tem mais controle sobre si mesmo e passa a viver na subserviência do vicio, sendo o crack dentre as demais substâncias viciantes a mais austera. Desde a iniciação até o desenvolvimento da dependência tudo ocorre velozmente e todo envolvimento com o crack é de alto risco, o que impede que tenhamos condições de utilizarmos com grande margem de acerto a classificação de fase inicial ou aguda do vicio.  
Sem falar que esse tipo de paciente é muito mais resistente a qualquer tipo de abordagem, devido tratar-se de uma droga que por si só exclui o dependente, colocando-o no mais absoluto isolamento. O dependente de crack não consegue parar sozinho porque o crack leva seu usuário a não ter limites, o limite do usuário de crack é o esgotamento físico e nesse compasso vai até a morte. 
Há questões delicadíssimas e que precisam ser administradas quando lidamos com usuários de crack. Usando outras palavras, nem todo usuário de crack é delinquente, mas todo dependente de crack que não tiver recursos financeiros para prover seu vício, é certo que mais rápido do que possamos imaginar irá delinquir para custear seu vicio, vale lembrar que o maior número de dependentes é de pessoas pobres e desempregadas. 

Para manter o vício inicia-se furtando dentro de casa, excluído da família deixa no esquecimento os laços afetivos, e passa a delinquir tornando-se presa fácil do crime organizado para manter o vício. A alteração da personalidade é tão severa que salta rápido do furto simples para o roubo, o assalto e o latrocínio. 

O dependente de crack não tem limite em nada que faz principalmente na capacidade assombrosa de aumentar o consumo da droga em tempo recorde e suportar porções consideradas letais. Quem lida na prática com esse tipo dependente sabe que de 40 a 60 pedras/noite é comum mesmo no início da dependência nesse tipo de usuário. Por essa razão muitos presídios estão abarrotados de pessoas condenadas como pequenos traficantes que na verdade são usuários contumazes, mas que ao deixarem os presídios terão concluído seu mestrado na área do tráfico. 
O dependente de crack nunca busca ajuda e até a dispensa. Seu único objetivo é a busca incessante por mais crack, sem se importar com mais nada, não teme pela própria vida, por essa razão a vida do próximo nunca será um impedimento para que alcance a próxima pedra. Diante desses fatos as internações involuntárias ou obrigatórias se impõem e não há como tratar esse tipo de usuário que não seja no regime de internato. Daremos seguimento a esse assunto. Frequente esse “espaço”! Dê sua opinião!

*Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes. 


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Esta matéria "Desmistificando O Tratamento Do Crack", Foi Veiculada No Site Da TV CARUARU.
Segue Link:




Desmistificando o tratamento do Crack.

Artigo-3-220-x-146
Um dos Institutos de Pesquisa de grande confiabilidade, o Datafolha, em recente levantamento detecta que 9 em cada 10 brasileiros concordam com o internamento involuntário para o usuário de crack. De fato é necessário esse procedimento não apenas pelo avanço da epidemia que assola o país, mas porque não há outra saída para impedir que dependentes More...
by admin | Published 2 dias ago