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quarta-feira, 7 de março de 2012

BRASIL É O 4º PAÍS MAIS ENCARCERADOR DO MUNDO EM NÚMEROS ABSOLUTOS


Brasil é 4º país mais encarcerador do mundo em números absolutos

LUIZ FLÁVIO GOMES*
Mariana Cury Bunduky**

O último balanço realizado pelo DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional) apontou a existência de 513.802 presos no Brasil em junho de 2011, o que lhe mantém no 4º lugar dentre os países mais encarceradores do mundo (Veja: Crescimento da população carcerária ultrapassa vertiginosamente o da população nacional).

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AUMENTAR)

Em valores absolutos, o número de presos no Brasil é inferior apenas ao dos Estados Unidos, que conta com 2.226.832 presidiários, ao da China, com 1.650.000 presos e ao da Rússia, com 763.700 encarcerados.

Esses quatro países representam 52% de toda população encarcerada mundial (que totaliza 10.070.672 presos).

Quando considerados os números de presos a cada 100 mil habitantes, o Brasil ocupa o 49º lugar no total mundial de 218 países (com 269 presos a cada 100 mil habitantes), ficando atrás de países como o Paquistão (40º colocado), a Nigéria (30º colocado), o Sudão (45º colocado), Nepal (42º colocado) e o Congo (26º colocado), dentre outros, muitos dos quais mais pobres ou em guerra declarada constante.

Assim, a situação do sistema carcerário brasileiro não só é caótica em âmbitos nacionais, mas também quando comparada com os demais países do mundo.

E o pior: além de uma absurda quantidade de encarcerados, que por si só não contribui para a diminuição da criminalidade no país, muitos dos nossos presos se encontram em situação irregular e/ou em condições de vida degradantes, atingindo mundialmente nossa imagem perante os órgãos de monitoramento dos Direitos Humanos (Veja: Sistema penitenciário mantinha mais de 21 mil presos irregulares e Superlotação, insalubridade e falta de assistência são as marcas dos estabelecimentos penais de São Paulo).

*LFG – Jurista e cientista criminal. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Acompanhe meu Blog. Siga-me no Twitter. Assine meu Facebook.

**Advogada e Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

VÍCIO E DEPENDÊNCIA ATINGEM AGRESSIVAMENTE TODAS AS CLASSES SOCIAIS

Vício e dependência atingem agressivamente todas as classes sociais

Parte 1 de 2


*Conceição Cinti
**  Natália Macedo
***Mariana Cury Bunduky


O Preconceito na família existe, e muitas vezes é tão severo quanto o preconceito da sociedade civil. Poderíamos até dizer que o preconceito dentro de casa se constitui o primeiro obstáculo a ser vencido para que o dependente tenha acesso à sua restauração. É exatamente ele quem vai retardar as primeiras providências a serem tomadas pela família a favor do dependente. 

Nas famílias de classe média e média alta, a mãe é quase sempre a 1ª pessoa a tomar ciência dos fatos. Porém, na maioria das vezes, até que ela dê inicio aos procedimentos necessários ao acolhimento e tratamento do filho/adicto, leva algum tempo. Tempo que depende muito do grau de informação e da autonomia que essa mãe exerce dentro da família. 


O pai, em geral, finge ignorar o problema. Usa de todos os subterfúgios para evitar ser comunicado oficialmente, pois não quer se posicionar. Na verdade, esse pai deseja mesmo é se safar do incomodo de dar satisfações aos “amigos” sobre um assunto do qual ele mesmo tem preconceito e não sabe ainda como lidar. Constrangido, necessita de um tempo para começar a cooperar e assumir sua posição como pai de um dependente. 


Também é mais comum do que se possa imaginar que os demais membros da família, com mais frequência os irmãos que não tem problemas dessa ordem, e são pessoas bem-sucedidas, egoístas e preconceituosas, a princípio, ficam revoltados, exercendo pressão sobre a mãe, contribuindo também para adiar o atendimento ao dependente. 


Como foi dito, é sobre a pessoa da mãe que pesa a maior responsabilidade. É ela quem, na maioria das vezes, irá decidir e escolher onde e como tratar o filho (a). Acompanhe essa trajetória. Ela traz esclarecimentos preciosos! 


* Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias   psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes
** Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes (IPC-LFG)
*** Pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes (IPC-LFG)

sábado, 21 de janeiro de 2012

PRESA PELO VÍCIO DO CRACK


Fonte da foto: Internet

Presa pelo vício do Crack, a dependente mulher é mais complicada, mas tem cura!  

*Conceição Cinti

A restauração para mulher dependente de crack torna-se mais complicada, pelo fato dela ser mais resistente ao tratamento, e empreender mais fugas. Inclusive, há menos espaços para o acolhimento e tratamento de mulheres. As entidades que assistem as dependentes pobres, concomitantemente, também terão que estar preparadas para prestar todos os cuidados necessários as gestantes e aos recém-nascidos. A maioria dessas vítimas não podem mais contar com a atenção da família, nem do pai biológico, sendo que esses bebês em sua maioria são frutos de relacionamentos inconsistentes, e com pessoas que também sofrem da mesma síndrome ou são ligadas ao tráfico. 
Tem aumentado o número de mulheres dependentes de substâncias psicoativas, e uma das razões é o envolvimento com o tráfico de drogas, na condição de “mula”, ou por envolvimento amoroso com traficantes. As dependentes do Crack têm maior tendência a maltratar e abandonar seus filhos, o Crack é uma droga maligna, a que mais desumaniza o ser humano. 
A situação da mulher dependente é mais vulnerável, porque ela mais prontamente se prostitui para custear o seu vício. Como a dependência pelo crack promove grave alteração não apenas no caráter, valores éticos, religiosos e físicos, a autoestima despenca e a mulher passar a não se importar com a aparência, a negligenciar a higiene pessoal, e o pior, abandona os cuidados com a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez não planejada. Essa categoria de pessoas tem todos seus direitos violados sem dó! 

*Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes. 



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

POR QUÊ?



POR QUÊ? 



*Conceição Cinti


Certa ocasião fui surpreendida por um jovem de 13 anos, bem articulado, dependente químico, fazendo-me a seguinte pergunta: “Por que os artistas e muitas pessoas ajudam nas campanhas para as crianças e jovens da APAE, Criança Esperança e, Teleton, mas eu nunca vejo ninguém fazendo campanha para ajudar a criança e os jovens drogados?” Confesso que a pertinente pergunta na ocasião me silenciou, mas ficou cravada na minha mente e, com frequência eu me pegava refletindo sobre o quanto àquela pergunta calará em mim e, exigia mais que uma resposta, uma atitude de coragem, um engajamento na luta pela prevenção e restauração dos dependentes químicos. Por que não? 
Hoje passei por aqui para tentar compartilhar juntamente com você meu leitor atento, a resposta mais provável do por que dessa atitude, onde muitos de nós expressamos e não me ocorre outra razão, que não seja o velho preconceito velado. Este é gerado pela desinformação e intolerância, e a nossa tendência humana perversa de reagir com indiferença ao drama que afeta o outro, o próximo, o vizinho, como se pudéssemos sobreviver cada um à sua maneira, e assim evitássemos atrair para nós as tragédias sempre antes vivenciadas pelas comunidades mais pobres e que ao depois sempre afetam toda a sociedade brasileira. O povo brasileiro em geral tem-se mostrado sensível, principalmente, quando as tragédias afetam crianças e adolescentes, desde que não sejam menores dependentes químicos. Porém o sentimento que de fato ajuda a vencer essa luta é o de inclusão, que não deixa ninguém a margem. Lembrando que amar não é um sentimento é um mandamento. Se não temos condições emocionais para amar essas crianças e jovens, por amor a nós mesmos e aos nossos queridos precisamos nos engajar. 
Adoro participar de qualquer campanha filantrópica para ajudar a melhorar a vida de quem quer que esteja precisando, por consciência de que o equilíbrio econômico-social entre as pessoas evita tragédias. As estatísticas têm apontado que os menos favorecidos economicamente têm sido mais vitimados pela violência, injustiça e a morte precoce. Porém essa mesma categoria de pessoas tem sido responsáveis pela maioria dos crimes contra o patrimônio e homicídios. E nessa guerra civil não assumida, o denominado efeito “bumerangue” da violência imposta é restituído velozmente e demonstrado através dos alarmantes números de mortes tanto de nossas crianças e jovens dependentes químicos como de civis aleatoriamente assassinados. 
Uma coisa salta aos olhos nessa guerra insana contra as drogas, o menor dependente químico nunca foi alvo do acolhimento e tratamento adequados, mas da repulsa e repressão. Perante a Lei todos somos iguais, na prática o que assistimos é a ausência de interesse político para combater as causas porque dá muito trabalho e exige persistência. A sociedade precisa exigir o combate das causas e não se contentar com a exposição dos efeitos danosos que além de não oferecer solução desperta o desejo pela vingança na sociedade, que clama por justiça, solução e não medidas paliativas.
Vamos vestir essa camisa e levantar esta bandeira!



* Conceição Cinti - Advogada. Educadora. Especialista em dependentes de substâncias psicoativas. Com experiência de mais de 27 anos no tratamento de dependentes.